A paranóia da beleza inatingivel - Photoshop em famosos

A paranoia da beleza inatingível: Tudo e todos recomendam uma Dieta Saudável, uma dieta que funciona‎ focada em perder peso, enfim, uma dieta ideal , avaliação de peso e muita malhação. Porém na era dos retoques por computador, o padrão de beleza difundido é irreal, o que gera infelicidade para quem está distante dele e deformações em quem o persegue:

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LIKE A VIRGIN
Madonna perdeu rugas e quadril e ganhou busto e cintura em foto da revista “Vanity Fair” de 2009


Mulheres de 50 anos com rosto de moça de 25. Senhoras de 60, 70 e até 80 anos com a pele livre de rugas e esbanjando a firmeza do colágeno. Celebridades de corpos cada vez mais esguios, de proporções tão perfeitas que desafiam a natureza. O padrão de beleza atual, idealizado pela sociedade e disseminado em campanhas publicitárias e revistas voltadas para o público feminino, nunca esteve tão distante da mulher comum. É que, também, nunca foi tão falso. Prova disso é a série de escândalos envolvendo fotografias de editorias de moda e campanhas publicitárias alteradas através do Photoshop – programa de computador de manipulação de imagens. O mais recente são as fotos sem tratamento que caíram na rede da pop star Madonna no ensaio feito em dezembro de 2008 no Rio de Janeiro para a revista americana “W”. Este soma-se a outros registros da cantora sem manipulação que vazaram na internet, como o da revista americana “Vanity Fair”, o da campanha da Louis Vuitton e o do disco “Hard Candy”. As imagens impressionam. Afinal, ninguém está acostumado a ver as marcas do tempo da cinqüentenária estrela- mor do entretenimento mundial. A revista americana “Newsweek” colocou no ar em seu site uma galeria de imagens alteradas por computador na última década.

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ETERNA
A atriz Sophia Loren sem rugas e com mãos lisinhas no calendário Pirelli 2007,
aos 73 anos, e dois anos antes com as marcas do tempo


Boa parte delas é de Madonna, que prefere posar para seu fotógrafo de confiança Steven Klein, e faz questão de aprovar qualquer retrato posado que for publicado. A ilusão provocada por essas imagens – que nesses casos valem menos do que qualquer palavra – tem duas  consequências negativas: geram infelicidadeem mulheres que se sentem cada vez mais distantes do padrão propagado por essas beldades ou, pior, suscitam uma perseguição desenfreada por este ideal de beleza. “Elas partem para uma busca incansável por intervenções estéticas desnecessárias, que não trazem satisfação duradoura”, diz o psiquiatra Táki Cordas, coordenador do Ambulatório de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, que estuda a obsessão pela beleza há 20 anos. As mulheres nunca gastaram tanto com a aparência. Em 2008, o mercado de cosméticos, perfumaria e higiene movimentou R$ 21,6 bilhões no Brasil, um crescimento de 13,5% em quatro anos. O número de cirurgias plásticas realizadas também bate recorde a cada ano – foram 629 mil em 2008. Ainda assim, elas não estão felizes com o que veem quando se olham no espelho. Um levantamento com 3.400 entrevistadas, com idade entre 15 e 64 anos, realizado em dez países (inclusive o Brasil), em 2004, mostra que nove em cada dez mulheres querem mudar algum aspecto de sua aparência. E comprova: a venda de falsas ilusões mexe de fato com a cabeça delas. Entre as brasileiras, 62% consideram difícil se sentir belas diante das fotos das modelos e celebridades estampadas em campanhas publicitárias e revistas. Quando tentam apagar as marcas da passagem dos anos a qualquer custo, as consequências podem ser desastrosas. Hoje, com o arsenal disponível, o limite do estica-e-puxa é o bom senso.
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CINTURA DE PILÃO
A atriz Jessica Alba surgiu no Calendário Campari em plena forma
seis meses após dar à luz: corpo todo retocado


Do contrário, em vez de conquistar o rosto e o corpo de seus sonhos, ficam deformadas. A estilista italiana Donatella Versace, 54 anos, é o exemplo público mais simbólico do extremo a que esse frisson pode chegar. Talentosa e rica, ela modificou completamente a fisionomia com o excesso de preenchimento de ácido hialurônico para dar volume aos lábios e aplicação de colágeno, que confere firmeza à pele. Ainda assim, parece não estar disposta a parar com as intervenções. Sua filha, Allegra, 22 anos, segue o mesmo caminho, pois é anoréxica há alguns anos. Mãe e filha sofrem da síndrome de dismorfofobia, um mal cada vez mais comum, em que a pessoa tem uma visão distorcida de sua imagem. “A doença é estimulada pela comparação que as pessoas fazem de si mesmas com imagens exibidas em outdoors e revistas”, diz Romeu Fatul, cirurgião plástico do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, e coordenador do Simpósio de Rejuvenescimento Facial do centro de saúde do hospital, realizado todos os anos, que defende práticas menos invasivas. “O fato de muitas fotografias serem mentirosas agrava ainda mais a situação.
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EXAGERO
A estilista Donatella Versace ficou deformada após tantas intervenções
” É preciso ter uma boa estrutura emocional para não se deixar levar por tanta propaganda enganosa, num mundo onde impera a lógica capitalista do “você é o que você consome”. “Somos bombardeadas por anúncios de  cosméticos milagrosos e soluções mágicas para qualquer questão de cunho estético que a mulher possa ter”, diz a psicóloga Ana Kernkraut, coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein. “Cada uma deve encontrar o seu equilíbrio. Nada mais saudável do que se cuidar e buscar o bem-estar. O que não pode é sair atrás de cirurgiões plásticos pedindo a boca da Angelina Jolie, o nariz da Gisele Bündchen e os olhos da Sophia Loren. Isso acontece muito e é patológico.” Para atingir esse equilíbrio, o psiquiatra Táki Cordas recomenda deixar as preocupações com a aparência um pouco de lado e resgatar outras questões, como as emocionais, filosóficas e intelectuais. “Se a mulher canaliza suas energias para um único tema, deixa de lado todos os outros, que poderiam lhe dar mais estrutura para passar ilesa por todo esse frisson de padrão de beleza”, avalia o psiquiatra.
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PEDAÇO DE MULHER
À esq., a atriz Demi Moore foi afinada – e perdeu parte do quadril – na “W”.
Kate Winslet na “GQ” inglesa: curvas só no espelho ao fundo
No Exterior, o poder público está acordando para as consequências desta busca desenfreada pela perfeição e começa a tomar providências. Em janeiro, o Parlamento espanhol aprovou uma lei que proíbe a exibição de anúncios na tevê que “exaltam o culto ao corpo” das 6h às 22h. Os alvos são produtos de emagrecimento, beleza e cirurgias. Segundo os parlamentares, eles associam o sucesso a padrões físicos determinados e influenciam negativamente crianças e adolescentes. Na França, sob recomendação do Ministério Público, os legisladores estão debruçados sobre um projeto de lei inovador, que, se aprovado, deve inspirar outros países. Da mesma forma que cigarros e bebidas alcoólicas trazem avisos do Ministério da Saúde que alertam para os malefícios do tabaco e do álcool, as campanhas publicitárias e os editoriais de moda devem informar o público quando as imagens tiverem sido manipuladas digitalmente. Se o esclarecimento não for veiculado, pagam multa. Em outubro passado, a publicação francesa “Paris Match” veiculou uma foto alterada do presidente francês, Nicolas Sarkozy, 55 anos. Ele aparece remando uma canoa e, no lugar de sua barriga saliente, surgiu uma versão tanquinho – como se um chefe de Estado, marido da bela cantora Carla Bruni, não pudesse ter pneuzinhos. É muita paranoia. 
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PRESENTE
No ano passado, quando completou 80 anos, Hebe Camargo
surgiu em capa de revista totalmente jovem